segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Meditação Sobre as Drogas!

Drogas: felicidade ou ilusão
Joildo Cândido da Silva*
Teoricamente, sabemos que as drogas são substâncias que tem efeitos estimulantes. É um mal particularmente grave que invade todas as camadas da sociedade.
Como uma velha história de pré-conceitos, a rejeição da sociedade e das instituições religiosas aos usuários, ainda é muito expressiva. O que é compreensível, tendo em vista que, as drogas levam muitos jovens, homens e mulheres a condutas de imoralidades diversas e desumanas. Sem mencionar às situações de decadências físicas e psíquicas.
 Todavia, a rejeição aos que vivem na triste realidade das drogas, por si mesma não alcança resultados positivos. Já dissera João Paulo II: “Há que reconhecer que a repressão contra os que recorrem a produtos ilícitos não basta para travar esta praga...”[1]
Ora, acredito que todos nós podemos comprovar: o fenômeno das drogas no meio dos jovens possui muitos significados. É evidente que muitos se encontram presos às correntes da dependência. Entretanto, não podemos nos esquecer que, o tempo da juventude é um momento de busca, interrogações e opções que, consequentemente, comprometem o futuro.
Não é fácil para um jovem superar as dificuldades da vida, administrar conflitos e transpor as barreiras de suas aflições. Nesse horizonte, percebemos que a opção feita pelas drogas torna-se uma via com difícil retorno, onde muitos jovens adentram na busca de uma vida ilusória, fictícia, fundamentada numa pseudo-felicidade.
Durante dois anos de minha trajetória vocacional, vivenciei uma experiência voluntária num centro de recuperação para jovens dependentes. Quando interrogávamos alguns daqueles jovens, sobre as causas, que os levaram a iniciação com as drogas, quase sempre ouvíamos a mesma resposta: “Ah! Tudo começou com a curiosidade de querer experimentar novas sensações e aventuras.” Outros: “eu queria desobedecer meus pais.” Outros, ainda: “estava com uns problemas e não conseguia nem ajuda nem solução.” 
Por vezes, também, ouvia histórias de perdas: amigos que morreram; mães que abandonaram seus filhos, familiares assassinados por motivo de vingança, privação da liberdade etc... No entanto, e na maior parte, o que mais ficou evidente é que muitos, simplesmente, se deixaram arrastar por alguém, ou por um grupo de amigos e sem nenhuma razão aparente, encontraram-se numa situação na qual não se atreveram a recusar a proposta enganadora dos fascínios desconhecidos de que já tinham ouvido falar. 
Em ambas as realidades, é perceptível que a experiência, da primeira vez, tenha trazido conseqüências de dor quase que insuportáveis e, em alguns casos irremediáveis.
Conforme João Paulo II, também afirmamos: drogar-se é sempre ilícito, porque implica a renúncia injustificada e irracional a pensar, a querer agir como pessoas livres. Quer isto dizer o que nos lembra Kant[2]: uma característica constituinte do ser humano é determinar-se exclusivamente pela razão e agir unicamente por respeito à lei da razão.


* Seminarista Arquidiocesano de Uberaba MG. Graduando em filosofia pela Faculdade Católica de Uberlândia. Email: joinho-cross@hotmail.com
[1] João Paulo II, Aos participantes do congresso internacional sobre as drogas, 532 n. 2
[2] Immanuel Kant, filosofo alemão.

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