segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Uma opinião sobre a Bíblia

Bíblia: Anúncio ou história?
Joildo Cândido da Silva*
“Ide por todo o mundo e proclamai o Evangelho...” (Mc. 16.15)                                
As lições que aprendemos são estímulos animadores e envolventes que nos proporcionam profundas e significativas reflexões. No cuidado de uma reorientação pessoal e, por ocasião do mês em que dedicamos uma atenção especial a Bíblia, decidimos escrever esta pequena reflexão, reafirmando nosso compromisso cristão, evangelizador e missionário.
No cerne de qualquer entendimento adequado a Sagrada Escritura, está o conceito universal de que Ela é a Palavra de Deus. Esta afirmação se refere ao nosso reconhecimento de que a Igreja continua, fidedignamente, anunciando a “boa noticia”! Decerto, sabemos que o Evangelho em sua originalidade era, pois, uma boa noticia verbalmente transmitida. E, sob o ponto de vista apostólico, é o anúncio que diz respeito à pessoa de Jesus de Nazaré, constituído Senhor e Filho de Deus.
 Em razão de alguns questionamentos que há tempos tenho observado, é válido frisar alguns aspectos que, consideramos, no mínimo, importantes para a formação de uma boa consciência cristã. Não se trata de uma explanação literalmente teológica. Em síntese, o que segue, são apenas modestas premissas para algumas possíveis reflexões e estudos mais aprofundados.
Pois bem, de um ponto de vista histórico, ainda no I século, possivelmente na era apostólica ou, no tempo, imediatamente posterior aos Apóstolos, foram escritos os quatro Evangelhos: Mateus, Marcos, Lucas e João. O grande mérito dos Evangelhos, é que todos eles proclamam o anúncio original de Jesus de Nazaré como o Messias, Cristo, Filho de Deus.
Entendemos que os Evangelhos, não são propriamente narrações históricas, como as podemos compreender em nosso momento. Em suma, podemos entender que Eles são a teologia da vida de Jesus de Nazaré. Segundo a conceituação prescrita no Aurélio, teologia é o “estudo das questões referentes ao conhecimento da Divindade e de suas relações com os homens.” Deste modo, podemos dizer que a base histórica da vida de Jesus de Nazaré, nos é contada de forma teológica. E, por conseguinte, é a partir dos fatos de sua vida, anunciados teologicamente, que se faz uma interpretação atualizada para nossa caminhada de fé cristã. Assim, as pessoas que ouvem, acolhem e põe em prática este anúncio, tornam-se Igreja, ou seja, tornam-se comunidades de fé em Jesus Cristo, nosso Senhor e Filho de Deus.
Referindo-nos ao conteúdo pedagógico do Livro Sagrado, aprendemos que Jesus não deixou nada escrito por ele mesmo. A experiência de sua vivência fundamental foi transmitida, inicialmente, pelos Apóstolos; tornou-se o primeiro Anúncio, a Boa Notícia anterior a escrita dos Evangelhos. Portanto, os Evangelhos escritos dependem daquele Evangelho primordial, fruto direto da Pregação Apostólica. Por tudo isso, e por ter a Igreja à sucessão Apostólica, impôs-se a Ela, um discernimento, sobre quais evangelhos e escritos eram revelados e, consequentemente, eram Palavra de Deus.


* Seminarista Arquidiocesano de Uberaba, graduando em filosofia pela Faculdade Católica de Uberlândia MG. Email: joinho-cross@hotmail.com

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Meditação Sobre as Drogas!

Drogas: felicidade ou ilusão
Joildo Cândido da Silva*
Teoricamente, sabemos que as drogas são substâncias que tem efeitos estimulantes. É um mal particularmente grave que invade todas as camadas da sociedade.
Como uma velha história de pré-conceitos, a rejeição da sociedade e das instituições religiosas aos usuários, ainda é muito expressiva. O que é compreensível, tendo em vista que, as drogas levam muitos jovens, homens e mulheres a condutas de imoralidades diversas e desumanas. Sem mencionar às situações de decadências físicas e psíquicas.
 Todavia, a rejeição aos que vivem na triste realidade das drogas, por si mesma não alcança resultados positivos. Já dissera João Paulo II: “Há que reconhecer que a repressão contra os que recorrem a produtos ilícitos não basta para travar esta praga...”[1]
Ora, acredito que todos nós podemos comprovar: o fenômeno das drogas no meio dos jovens possui muitos significados. É evidente que muitos se encontram presos às correntes da dependência. Entretanto, não podemos nos esquecer que, o tempo da juventude é um momento de busca, interrogações e opções que, consequentemente, comprometem o futuro.
Não é fácil para um jovem superar as dificuldades da vida, administrar conflitos e transpor as barreiras de suas aflições. Nesse horizonte, percebemos que a opção feita pelas drogas torna-se uma via com difícil retorno, onde muitos jovens adentram na busca de uma vida ilusória, fictícia, fundamentada numa pseudo-felicidade.
Durante dois anos de minha trajetória vocacional, vivenciei uma experiência voluntária num centro de recuperação para jovens dependentes. Quando interrogávamos alguns daqueles jovens, sobre as causas, que os levaram a iniciação com as drogas, quase sempre ouvíamos a mesma resposta: “Ah! Tudo começou com a curiosidade de querer experimentar novas sensações e aventuras.” Outros: “eu queria desobedecer meus pais.” Outros, ainda: “estava com uns problemas e não conseguia nem ajuda nem solução.” 
Por vezes, também, ouvia histórias de perdas: amigos que morreram; mães que abandonaram seus filhos, familiares assassinados por motivo de vingança, privação da liberdade etc... No entanto, e na maior parte, o que mais ficou evidente é que muitos, simplesmente, se deixaram arrastar por alguém, ou por um grupo de amigos e sem nenhuma razão aparente, encontraram-se numa situação na qual não se atreveram a recusar a proposta enganadora dos fascínios desconhecidos de que já tinham ouvido falar. 
Em ambas as realidades, é perceptível que a experiência, da primeira vez, tenha trazido conseqüências de dor quase que insuportáveis e, em alguns casos irremediáveis.
Conforme João Paulo II, também afirmamos: drogar-se é sempre ilícito, porque implica a renúncia injustificada e irracional a pensar, a querer agir como pessoas livres. Quer isto dizer o que nos lembra Kant[2]: uma característica constituinte do ser humano é determinar-se exclusivamente pela razão e agir unicamente por respeito à lei da razão.


* Seminarista Arquidiocesano de Uberaba MG. Graduando em filosofia pela Faculdade Católica de Uberlândia. Email: joinho-cross@hotmail.com
[1] João Paulo II, Aos participantes do congresso internacional sobre as drogas, 532 n. 2
[2] Immanuel Kant, filosofo alemão.