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Num mundo tão grande ao exterior, mas tão pequeno dentro de nós, sentimos os impulsos humanos se contorcerem em formas tão contrárias, que às vezes somos obrigados a nos perguntar se o ser humano que vive é o mesmo ser humano que sente e que ama. Parece-nos um paradoxo...
Novamente repitimos essa expressão que até podemos reconhê-la, como um chavão em nossas reflexões. Entretanto, acreditamos que o mundo e os seres humanos são um paradoxo.
Em certa ocasião, discutíamos nas aulas de ética a possibilidade da legalização do aborto no Brasil. Ocasionalmente, os noticiários e jornais destacaram a notícia de que o Supremo Tribunal prepara-se para julgar o direto ao aborto na gravidez de fetos anencéfalos. Pois bem, como sabemos, no Brasil, o aborto é definido pelo Código Penal como crime contra a vida humana. Tendo exceções em duas únicas hipóteses: gestação proveniente de um estupro e, ou quando a gravidez implica em risco de vida para a mãe. Em ambos os casos, a polêmica sobre o aborto ainda persiste!
Ora, a gravidez Anencefálica, normalmente, não é consequência de um estupro nem pressupõe risco de vida para a mãe. Antes, a vida humana que lamentavelmente, herda essa má formação congênita, nos hemisférios cerebrais pela suposta “ausência” do encéfalo, certamente é fruto do amor e da união entre um homem e uma mulher. Logo, fica-nos evidente que o aborto nesse caso é proibido pela lei. Além disso, um aspecto ontológico que constitui a dignidade humana é o direito a vida desde a concepção à morte natural. Então, como podemos tentar subordinar a dignidade da vida humana aos nossos falhos e limitados julgamentos que visam à seleção qualitativa com a conseqüente eliminação dos fetos e embriões?
Acreditamos que o Amor que gera vida é algo sublime. Então, por que no Amor as coisas acontecem tão rápido? Por que as horas passam tão rápido? Mal nascemos e já é hora de partir, mal começamos a amar e já é hora de parar.
Possivelmente, o Amor exija de nós reciprocidade, cumplicidade e uma pontinha de esperança. Isto porque é impossível olhar o Amor sem perceber a esperança. Só ela consegue embalar os corações e mover os sentimentos humanos.
Então, aos amigos leitores que costumam refletir conosco, que valorizam e que defendem o direito da dignidade da vida humana e especialmente aos pais e mães de inúmeras e inocentes vidas humanas, atingidas por essa inesperada realidade: “não acreditemos que o Amor seja frustrante, é preferível sentirmos um toque do Amor por mais breve que seja, que a dor da ausência desse Amor. Pois, enquanto uns “matam”, infringindo a plenitude do Amor, outros Amam e se Amam.”
[1] Joildo Cândido da Silva, seminarista arquidiocesano de Uberaba.