Envelhecer!
Joildo Cândido da Silva.
| Joildo Cândido |
Há algum tempo num dos nossos devaneios, refletindo sobre a vida, nos perguntamos o que achávamos da velhice. Ironicamente, pensamos que estivéssemos refletindo sobre a questão errada, em vista de que, os nossos “hodômetros” já passam dos 25 e, apesar de sermos considerados jovens, não costumamos gostar muito da idéia!
Naturalmente, existem realidades que ao longo de nossa caminhada existencial, não consideramos nem costumamos refletir sobre elas. Sob a influência daquele questionamento, passamos a pensar sobre a complexidade de nossa existência e, assim, paramos e chegamos à seguinte conclusão: “Involuntariamente, estamos mesmos inseridos e sujeitos a esse contexto temporal!”
Parece-nos, que não é fácil lidar com a idéia de velhice, com a idéia de que o tempo passa para todos nós e, inesperadamente, num “futuro breve” precisaremos nos defrontar com nossas limitações físicas, em alguns casos até mental.
Certamente, não conseguiremos expressar o que irá nos restar... Por vezes, quando visitamos alguns idosos, ouvimos de alguns, certa auditoria da vida, expressa na insatisfação e no sentimento vazio de solidão proliferado no silêncio e nas lágrimas causadas pelas relembranças dos tempos passados e pessoas amadas.
Diante desse fato, nossa fragilidade emocional, sem dúvida, é evidente. Também temos memória, nela está gravada a lembrança dos tempos de criança, dos relacionamentos com os amigos repletos de segredos que, hoje, não significam tanto para nós. Lembramos dos momentos passados, das alegrias vividas, das risadas trocadas... Dos nossos pais e pessoas que amamos...
Assim, se as palavras nos faltam, para exprimir os sentimentos e as experiências daqueles que nos precederam na velhice, estendamos nosso olhar ao mais longe possível, pois, como aprendemos com as lições da vida, não temos a oportunidade de ganhar todas às vezes, na verdade é inspiradora a idéia de que precisamos concordar em discordar. Pois, apesar de muitas vezes, não querermos aceitar a velhice, precisamos concordar que, envelhecer é uma conquista, e ela supera a alternativa da idéia de morrer jovem. A vida não está amarrada com fitas a nossa vontade, mas é um belo presente. Viva intensamente!