segunda-feira, 11 de abril de 2011

Violência por ação ou omissão!
Joildo Cândido da Silva[1]
Há poucos dias, juntamente com um grupo de alguns amigos e colegas da faculdade, estávamos reunidos num simpósio internacional sobre violência e a metafísica contemporânea. Qual não foi novamente nossa surpresa diante dos noticiários de quinta-feira 07 de abril, que nos deixaram perplexos, perante as noticias do massacre violento numa escola municipal do estado do Rio de Janeiro.
Acredito que não há uma pessoa no Brasil, que não se tenha solidarizado com o assassinato das doze crianças vítimas da fúria insensata de um jovem de apenas 23 anos. A tragédia que ceifou as vidas das crianças inocentes, sem dúvida, perpetuará na memória de muitos que assistiram e, acompanharam pelos meios de comunicação, mais um lamentável episódio da vida real.  Obviamente, não há explicações convincentes que se possa aceitar, nem consolo para os pais e familiares, que sofreram e sofrem a dor da perda e da lacuna, a partir de então, existentes em suas vidas.
Questões colocadas sobre a violência estão na memória de todos nós, não faz muito tempo que também testemunhamos assassinatos de crianças: João Helio, vítima de um assalto em fevereiro de 2007,  foi arrastado, preso  ao cinto de segurança pelo lado de fora do carro, na tentativa de fuga  dos assaltantes; o caso da menina Isabela Nardone, brutalmente jogada do sexto andar do edifício London, em março de 2008; do menino João Roberto de apenas três anos, morto quando o carro onde ele se encontrava, foi alvejado com dezessete tiros em julho de 2008.
Podemos constatar que a violência, cada vez mais, persiste em nossos dias. A falta da observância dos valores morais, de princípios ontológicos e éticos na humanidade, contribui para que a sociedade vivencie, unicamente, uma proposta fragilizada, pois, não são levados em consideração na formação humana e pessoal do homem, aspectos significativos que orientem a sua vida. Nossa humanidade está, cada vez mais, envenenada pelas ações violentas e desmedidas, de uma sociedade despersonalizada e desprovida da observância de valores.
Segundo o dicionário de filosofia, entendemos que a “humanidade é aquilo em virtude do que o homem é homem; e em homem é homem não porque tem os princípios individuais, mas porque tem os princípios essenciais da espécie”[2] Deste modo nos perguntamos: O que fazer para que a humanidade torne-se cada vez mais humana? Penso simplesmente ser necessário que a sociedade volte a ser pacífica, o que se conseguirá com uma formação humana, intimamente ligada, aos princípios fundamentais de valores ontológicos como o respeito à dignidade da vida humana, o Amor, justiça, compaixão. Portanto, desejo que não sejamos aquilo que nos lembra um ditado romano, “Homo homini lúpus”[3]  - o Homem é lobo para outro homem.






[1] Joildo Cândido da Silva, seminarista arquidiocesano de Uberaba MG, graduando do curso de filosofia pela Faculdade Católica de Uberlândia MG.
[2] ABBAGNANO, N. Dicionário de Filosofia. São Paulo: Martins Fontes, 2000. p.518. Cf. conceito de Humanidade.

[3] Dom Benedito Ulhôa Vieira. Citado em um de seus artigos publicado pelo Site da Arquidiocese de Uberaba MG.